Neste breve reflexão procurarei abordar alguns dos temas focados nos blogues selecionados para este trabalho, tendo em conta a pertinência das diversas observações, no que diz respeito à utilização dos blogues no ensino do Inglês como língua estrangeira.
Um dos desafios mais interessantes no ensino da lingua estrangeira, nomeadamente do Inglês, prende-se com as inúmeras possibilidades de exploração de recursos on line. Efectivamente, a utilização de tais recursos não só possibilta o acesso a múltiplas e variadas formas de contacto com a língua mas também com toda a envolvência socio- cultural em que a mesma se insere.
Obviamente que, hoje em dia, a inserção dos meios on line na sala de aula afigura-se bastante limitada, face às características que ainda se mantém no ensino da disciplina. Com efeito, o espaço da sala de aula não se afigura como o ideal para a exploração em pleno de tais recursos face ao enquadramento da disciplina no nosso ensino. Para tal precisariamos de cconsiderar o ensino da língua estrangeira como especifico e deste modo, atribuir-lhe um espaço de exploração próprio- isto é-, turmas pequenas, com espaços especializados, onde professores e alunos pudessem descobrir e partilhar algumas das potencialidades do trabalho on line, com computadores em rede na sala de aula.
Passando aos texto, começo pelo texto de Barbara Schroeder que evoca a pertinência dos blogues, enquanto instrumentos diversificadores das aprendizagens. A ideia de transpor a experiência do dia a dia em registo de diário no blogue poderá efectivamente, optimizar potencialidades assente na possibilidade de construção e edição permanente com o feed back do professor. A natureza " construtivista" de que a autora fala traduz, assim, um meio de comunicar, organizar e refectir, ou seja, na prática a troca de experiências onde a aquisição da língua resulta da flexibilidade e potencialidade da utilização dos blogues em diversa actividades. Uma das vantagens óbvias é que estas actividades podem envolver vários actores do processo ensino-aprendizagem, servindo vários propósitos, como, de resto, salienta também Susan Jinks;
"Blogs in the classroom can serve at least four basic functions: classroom management, collaboration, discussion,
and student portfolios. Teachers can use the blog as a form of communication with students and
parents. The comment feature makes blogging a forum through which students can communicate and
collaborate. This can be done from the perspective of the whole-class, within smaller groups or individuals.
Students can also use the blog as a means of communicating with children at other schools or even in different
countries. The blog can serve as a discussion forum, open to all Internet users, or limited to the students in one
class. Individual student blogs provide an ongoing portfolio of that student’s work because each entry is dated
and placed in chronological order"
Uma das linhas de força dos diversos autores liga-se ao incremento da exploração de ideias, ao mesmo tempo, fomentando o hábito da pesquisa através do intercâmbio permanente e da troca de perspectivas sobre as mais diversas temáticas.
No texto de A.P. Davies destaca-se ainda o aspecto da possível cooperação entre falantes nativos e alnuos de Inglês como segunda língua. Esse pode constituir um excelente meio de promover novas aprendizagens, ao mesmo tempo desenvolvendo a interacção dentro e fora da sala de aula. Podemos talvez perspectivar que o mesmo procedimento entre falantes nativos e alunos de Inglês como língua estrangeira poderá produzir resultados igualmente positivos.
Muitos outras actividades poderão ser implementadas ao nível da aprendizagem da língua Inglesa e do desenvolvimento das respectivas competências. O ensaio de Anne P. Davies refere, concretamente, a possibilidade de um blogue de aprendizagem de expressões idiomáticas. Pode- se, por exemplo, ponderar um trabalho sobre os phrasal verbs , no qual os alunos apresentarão e trocarão impressões sobre o resultado do seu trabalho. Isto poderá constituir um estímulo óbvio, tendo em conta que, a maioria dos alunos estão familiarizados com a utilização da Internet.
Tal com vimos em relação aos textos já citados, Stephan Dawnes, acentua a possibilidade de os alunos opinarem num contexto criativo,- tal como refere Sandy Evans no video de introdução da tarefa-, sem restrições e, sobretudo num contexto de autonomia " Blogs give students ownership over their own learning and an authentic voice". Este parece-me ser um argumento bastante válido, devido ao o facto de os alunos gostarem sempre de exprimir os seus pontos de vista, sobre sobre os mais variados assuntos, sendo que, os blogues abrem novos caminhos nesse sentido.
Stephan Downes refere, por exemplo, que o blogue, embora seja muitas vezes visto como uma espécie de "diário pessoal", tem a vantagem de abrir as possibilidades de exploração pessoal em vários domínios, por parte de docentes e alunos sendo que, a sua potencialidade como ferramenta de trabalho extravasa o contexto da sala de aula, como de resto, é observado por Kathleen Pinkman no seu texto;
" a blog is an easy to maintain online journal that can provide foreign language learners a venue in which they can reflect, comment, question, review, and communicate—outside the classroom in an authentic environment."
Esse mesma linha de pensamento é acentuada no texto de Ken Fujiuitsu descrevendo os blogues como, "a simple venue to allow students to publish(...) scholarly level writing but it does get them into the habit of publishing their ideas" .
A 'Blogosfera´constitui, deste modo, hoje em dia, um espaço infidável de troca de experiência e saberes no qual se destacam o aparecimento de redes sociais como o My Space ou o Facebook. Os blogues permitem, de igual modo, a conjugação em atmosfera criativa, de imensos recursos (audio- vídeo, etc) com resultados bastante estimulantes.
Nas experiências que tive com alunos em trabalhos na Internet verificou-se sempre uma boa adesão, desde que bem delimitadas as tarefas.
Em tempos realizei um trabalho com alunos do 12º ano sobre o Ebonics, com recurso à Internet, o que permitiu dados muito curiosos e registou uma participação dos alunos muito empenhada.
A exploração de vários tópicos e conteúdos gramaticais através dos blogues é algo que pode ser bastante profícuo para alunos professores, visto que permite estabelecer uma pesquisa em contexto criativo, podendo funcionar como um género de Anti-Grammar Grammar Book, que, em determinados ambientes pode ajudar a estabelecer um incentivo á pesquisa e aprendizagem . Dai que corrobore inteiramente a impressão dos diversos autores ao frisarem as possibilidades imensas de estimular os alunos na aprendizagem da língua inglesa.
Desta forma, creio podermos afirmar que a utilização dos blogues na sala de aula se afigura como uma ferramenta pedagógica de inegável valor, como referem os diversos autores. No entanto, esse é um processo que terá que ter em conta, (pensando na realidade do ensino em Portugal), as características de um modelo herdado, em grande parte, do início do século XX, mas também o perigo da desvalorização da sistematização de estruturas e conteúdos que correm o risco de ser secundarizados em face de certas perspectivas lúdicas do ensino. Se os blogues e os restantes espaços da Internet se afiguram essenciais nas aprendizagem da língua inglesa, até pela preponderância da mesma no cyberespaço, torna-se necessária uma reflexão profunda sobre as interacções e resultados efectivos das aprendizagens que não desvalorizem ou mesmo compromentam as qualificações das actuais e próximas gerações de alunos em quaisquer áreas do conhecimento e saber.
Olá Luís!
ResponderEliminarAcho bastante interessante um dos exemplos que dás na exploração de blogs - a possibilidade de explorar conteúdos gramaticais de uma forma pouca habitual, mais creativa, com recurso à pesquisa e no estilo "Anti-Grammar Book". Não há dúvida que as possibilidades da exploração de blogs são imensas e mais atraentes, tanto para os alunos, como para os professores, até mesmo na abordagem de conteúdos de funcionamento da língua, que por vezes são pouco apelativos para os alunos. Gostava de experimentar algo nesta àrea...
O Luís tem uma selecção muito boa e bem fundamentada de alguns dos pontos fortes dos blogs (ou da sua utilização para a aprendizagem). É verdade que a actual estrutura da escola, herdada da era industrial, não está a par dos tempos, mas pode ser que lá vá chegando com os nossos empurrões.
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